Um era diferente: José Laurencio Silva, filho de uma parteira da aldeia de El Tinaco, nos Llanos, e de um pescador do rio. Por parte de pai e de mãe era moreno escuro, pertencia à classe desafavorecida dos pardos, mas Bolívar o casara com Felicia, uma de suas sobrinhas. Fez carreira começando como recruta voluntário do exército libertador aos dezesseis anos de idade, até chegar a general-em-chefe aos cinqüenta e oito; sofreu mais de quinze ferimentos graves e numerosos leves, de diversas armas, em cinqüenta e duas ações de quase todas as campanhas da independência. A única contrariedade que sua condição de pardo lhe trouxe foi ser rejeitado por uma dama da aristocracia local a quem tirara para dançar num baile de gala. Simón Bolívar pediu então que bisassem a valsa, e a dançou com ele.
domingo, 18 de maio de 2008
Como Simón Bolívar - que morreu em 1830 - encarava as Desigualdades Sociais
Um era diferente: José Laurencio Silva, filho de uma parteira da aldeia de El Tinaco, nos Llanos, e de um pescador do rio. Por parte de pai e de mãe era moreno escuro, pertencia à classe desafavorecida dos pardos, mas Bolívar o casara com Felicia, uma de suas sobrinhas. Fez carreira começando como recruta voluntário do exército libertador aos dezesseis anos de idade, até chegar a general-em-chefe aos cinqüenta e oito; sofreu mais de quinze ferimentos graves e numerosos leves, de diversas armas, em cinqüenta e duas ações de quase todas as campanhas da independência. A única contrariedade que sua condição de pardo lhe trouxe foi ser rejeitado por uma dama da aristocracia local a quem tirara para dançar num baile de gala. Simón Bolívar pediu então que bisassem a valsa, e a dançou com ele.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Conto infantil para que Aprendam o que lhes Espera
Autoria Desconhecida
O açougueiro estava muito impressionado e como já era hora de fechar o açougue, decidiu seguir o cão que começou a descer a rua com a bolsa em sua boca. Quando chegou a um cruzamento, colocou a bolsa na calçada, se ergueu sobre suas patas traseiras, e com uma das patas dianteiras apertou o botão de pedestres para mudar o sinal.
Pegou novamente a bolsa e esperou pacientemente, com ela pendurada no focinho, que o semáforo desse vez aos pedestres. Atravessou então o cruzamento e caminhou até uma parada de ônibus, enquanto o assombrado açougueiro o seguia de perto.
No ponto de ônibus, o cachorro olhou para uma tabela de rotas e horários, e sentou-se na calçada a esperar por seu ônibus. Chegou um que não era o seu e o cachorro continuou esperando pelo correto. Chegou então, outro ônibus. O cão olhou para ele e ao dar-se conta de que era o correto, entrou nele pela porta traseira, para que o motorista não lhe visse.
O açougueiro, boquiabierto, lhe seguiu. De repente o cachorro se ergueu sobre suas patas traseiras, tocou a campainha pedindo parada, e sempre com a bolsa na boca. Quando o ônibus parou, o cão desceu, e também o açougueiro, e ambos se foram caminhando pela rua até que o cão parou em uma casa, pôs a bolsa na calçada, e retirando-se um pouco, correu e se lançou contra a porta. Repitiu a ação várias vezes, mas ninguém abriu a porta.
Então o cachorro deu a volta na casa, saltou uma cerca, foi até uma janela e, com sua cabeça golpeou várias vezes o vidro. Voltou então à porta, que se abriu e apareceu um homem que começou a bater no cachorro.
O açougueiro correu até o homem e lhe gritou: - Por Deus, amigo! O que é que você está fazendo? Seu cão é um gênio!
O homem, irritado, respondeu:
- Um gênio? Esta é a segunda vez nesta mesma semana que este cão estúpido esquece as chaves !
Moral da estória: Você pode continuar excedendo as expectativas, mas ante os olhos do chefe estará sempre abaixo do esperado......
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Questão Cultural
Eduardo Sérgio
Um homem trabalhava na matriz de uma empresa portuguesa. A empresa lhe fez uma proposta de trabalhar na administração da filial no Brasil ganhando mais do que ganhava
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Uma Separação
Eduardo Sérgio
u desméritos, o juiz perguntou-lhes se não havia possibilidade de reconciliação, ao que a mulher se adiantou e disse que não poderia se reconciliar com um homem que em uma discussão, perdeu a cabeça e lhe deu duas marteladas. O homem prontamente contestou: “Isso é mentira! Eu só dei uma!”segunda-feira, 5 de maio de 2008
Abandono de Lar
Eduardo Sérgio
Um homem abandonou a mulher e a casa em que viviam. Não tinham muitas posses, e para ele foi, de certa forma, fácil tomar a decisão de se mudar para uma cidade próxima, junto com sua concubina. Da esposa, não podemos dizer a mesma coisa, uma vez que não tinha emprego. Arranjou um que não lhe rendia muito, mas foi o que se pode arranjar. Um ano depois, foi a uma festa e lá avistou seu ex-marido. Ele, quando a viu, foi até ela e a tirou para dançar. A mulher hesitou, mas concordou em dançar com ele. Dançaram e bem apertadinhos. E assim ficaram dançando a noite toda. Quando terminou a festa, os dois foram para a casa da mulher. Lá, eles se beijaram e, como era de se esperar, fizeram sexo. Parecia que todos dois estavam com saudades. Após o sexo, o homem dormiu feito criança. A mulher então levantou-se e foi até a cozinha. De lá voltou com uma chaleira de água fervendo e tranqüilamente derramou no ouvido de seu ex-marido que nunca mais acordou.
domingo, 4 de maio de 2008
A Escolha do Gawain
A pergunta era: O que realmente as mulheres querem? Semelhante pergunta deixaria perplexo até ao homem mais sábio, e ao jovem Arthur lhe pareceu impossível de respondê-la. Contudo aquilo era melhor do que a morte, de modo que regressou a seu reino e começou a interrogar as pessoas. A princesa, a rainha, as prostitutas, os monges os sábios, o palhaço da corte, em suma, todos e ninguém soube dar uma resposta convincente. Porém todos o aconselharam a consultar a velha bruxa, porque somente ela saberia a resposta. O preço seria alto, já que a velha bruxa era famosa em todo o reino pelo exorbitante preço cobrado pelos seus serviços.
Chegou o último dia do ano acordado e Arthur não teve mais remédio se não recorrer a feiticeira. Ela aceitou dar-lhe uma resposta satisfatória, com uma condição, primeiro aceitaria o preço. Ela queria casar-se com Gawain, o cavaleiro mais nobre da mesa redonda e o mais intimo amigo do Rei Arthur! O jovem Arthur a olhou horrorizado: era feíssima, tinha um só dente, desprendia um fedor que causava náuseas até a um cachorro, fazia ruídos obscenos... nunca havia topado com uma criatura tão repugnante. Se acovardou diante da perspectiva de pedir a um amigo de toda a sua vida para assumir essa carga terrível.
Não obstante, ao inteirar-se do pacto proposto, Gawain afirmou que não era um sacrifício excessivo em troca da vida de seu melhor amigo e a preservação da Mesa Redonda. Anunciadas as bodas, a velha bruxa, com sua sabedoria infernal, disse: O que realmente as mulheres querem é: Serem soberanas de suas próprias vidas!!! Todos souberam no mesmo instante que a feiticeira havia dito uma grande verdade e que o jovem Rei Arthur estaria salvo. Assim foi a ouvir a resposta, o monarca vizinho lhe devolveu a liberdade.
Porém, que bodas tristes foram aquelas... toda a corte assistiu e ninguém se sentiu mais desgarrado entre o alivio e a angústia, que o próprio Arthur. Gawain, se mostrou cortes, gentil e respeitoso. A velha bruxa usou de seus piores hábitos, comeu sem usar talheres, emitiu ruídos e um mau cheiro espantoso.
Chegou a noite de núpcias. Quando Gawain, já preparado
para ir para o leito nupcial aguardava que sua esposa se reunisse com ele... ela apareceu com o aspecto da donzela mais formosa que um homem desejaria ver... Gawain ficou estupefato e lhe perguntou o que havia acontecido. A jovem lhe respondeu com um sorriso doce, que como havia sido cortes com ela, a metade do tempo se apresentaria com aspecto horrível e a outra metade com aspecto de uma linda donzela. Então ela lhe perguntou. Qual ele preferiria para o dia e qual para a noite?Que pergunta cruel. Gawain se apressou em fazer cálculos... Poderia ter uma jovem adorável durante o dia para exibir a seus amigos e a noite na privacidade de seu quarto uma bruxa espantosa ou quem sabe ter de dia uma bruxa e a uma jovem linda nos momentos íntimos de sua vida conjugal.
O que você teria preferido? O que teria escolhido? A escolha que fez Gawain está mais abaixo, porém, antes tome a sua decisão.
O nobre Gawain respondeu que a deixaria escolher por si mesma. Ao ouvir a resposta, ela anunciou que seria uma linda jovem de dia e de noite, porque ele a havia respeitado e permitido ser soberana de sua própria vida.
Moral da história:
Não importa se a mulher é bonita ou feia, no fundo ela é e sempre será uma bruxa.
Conto Gramatical Conotativo
Desconheço a autoria
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos.
O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.
De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e para justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.
Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.
Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois.
Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta dela inteira.
Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.
Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal.
Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.
O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.
